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Sabores do mundo: saquê raro de Fukushima



Como método de estímulo às relações exteriores e difusão cultural e gastronômica no Brasil, o embaixador do Japão no país, Hayashi Teiji, recebeu em sua residência convivas para uma aula-degustação dos saquês e licores produzidos pela casa Kinsuisho, em Fukushima. Importante acesso a esta bebida tão pouco difundida pelo Brasil e de consumo muito restrito aos restaurantes japoneses.


Conhecer o processo de fabricação de um dos mais raros e premiados exemplares de Fukushima certamente confere uma nova camada de percepção à versatilidade do nihonshu - a clássica bebida fermentada de arroz que convencionamos chamar de saquê no mundo ocidental.


Para essa aula-degustação, realizada para jornalistas, restaurateurs, enófilos, atacadistas e varejistas, fomos apresentados a algumas variedades de nihonshu por Miyuki Saito, a CEO da Kinsuisho, única fábrica de saquês em Fuskushima.


De lá, é produzida esta grande raridade chamada Kinsuisho Daiginjo Shikuzu Shiboru. Um nihonshu peculiar e premiadíssimo, do qual são produzidas apenas 200 garrafas por ano. Embalada em caixa de madeira, sua garrafa de coloração preta guarda ali uma bebida que transcende aquele sabor amídico granular típico da extração do arroz polido. Notas frutadas e muita mineralidade compõe um conjunto complexo de aromas e sabores.


A experiência ficou mais completa na harmonização, com o pertinente menu do chef da Embaixada do Japão, Kazumine Nohara. Não foi nem a primeira ou segunda vez que tive o privilégio de provar de sua comida. Aliás, em ocasião anterior, foi justamente em uma degustação de nihonshu e de Awamori, a saborosa aguardente de Okinawa.


Para o Daiginjo, um tempurá de camarão com molho adocicado de leve acidez. A bebida pouco ácida, produzida com 40% de polimento proporcional de arroz e teor alcoólico de 17%, embora não parecesse (é claro que o vício da degustação de vinhos nos permite essas comparações que, para um saquê, pode não fazer tanto sentido).


Um segundo nihonshu apresentado por Miuky Saito de sua centenária e familiar fábrica de Fukushima foi o Kinsuisho Junmaishu. Também premiado, porém, de cunho mais comercial, é muito mais semelhante aos que temos acesso em restaurantes nacionais, embora tenha suas peculiaridades. Uma bebida suave, que fez companhia a umas tiras de picanha do chef Nohara, justamente para provar como seu valor gastronômico não precisa se limitar à mesa japonesa.


A terceira bebida a compor a coleção de Kinsuisho foi uma saborosa "sobremesa". O licor Chibimomo, com apenas 7% de álcool, é feito a partir do saquê com suco de pêssego. Pêssegos, diga-se, do famoso terroir de Fukushima, de onde frutificam belíssimas e quase avermelhadas frutas de caroço, das mais suculentas.


Uma excelente iniciação ao universo do nihonshu. Sim, usei muito este termo justamente para ajudar na compreensão de que saquê é o nome genérico atribuído a bebidas alcoólicas no Japão. Mas, sim, não há nenhum problema vocês continuarem, por aqui, a pedir apenas um "saquê" no restaurante.

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